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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O início


O início 


Há um inicio para conceber; 
Há um inicio para duvidar da nossa acção;
Há um inicio para perder a fé em nós e
um meio que nunca nos prometeu ser meio;
Há um inicio para cair em desespero;
Há um inicio que nos leva a pensar que é o fim;

Há um inicio que nos conduz a reflectir  sobre origem de todos esses ditos inícios;

Há um inicio antes de sermos algo,
antes de fazermos o quer que seja,
antes de duvidarmos o quer que for,
antes de abandonarmos o nossos objectivos,
antes de perder o fio que nos conduz a um outro lugar,
A um outro novo inicio, e,
um mesmo ponto de partida
de onde derivou o inicio que finda;

Não serão esses ditos "inícios" células de um ciclo?
O ciclo natural que todas as coisas respeitam?
Um ciclo que não se inicia, que não trás nada que já não não tenha sido?

Não será esse ciclo apenas a oportunidade de iniciar
a cada concessão,
a cada duvida,
a cada pensamento,
a cada sentimento
a cada resposta
uma reorganização?
Uma permanente reestruturação que,
sem saber de onde nasceu
e tão pouco se algum fim terá,
é a responsável pela organização da matéria e
pela permanência de um estado de continua experiência
ao qual se chama Vida?


                                  "Não há fim nem início, há continuidade." 
                              "A diferença está em ver a vida em parcelas ou vê-la como extensão dela própria."
Alex Pereira Drumont,2013


E a arte não será a ferramenta, dentro deste ciclo, que o Homem criou com a necessidade de se compreender, de se descobrir como matéria, como ser pensante e sensível?
 Não será esta, a disciplina da procura do desvendar do Eu, da liberdade de expressar todos os inícios não compreendidos e que congestionam a capacidade de reorganização individual?


                                        “ A medida que o homem se desenvolve, amplia-se o círculo das qualidades                                     que aprendeu a reconhecer nas coisas e nos sons. Estes tomam um                                                   significado que se  transforma em ressonância interior.” 
                                                                                                              Kandinsky, wassily; Do espiritual na Arte, 1991